
sexta-feira, 19 de junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009
| Mensagem de veto | Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. |
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:
"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
§ 3o (VETADO)"
"Art. 79-A. (VETADO)"
"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 10.1.2003
sexta-feira, 1 de maio de 2009

O capitalismo tem seu inicio na Europa. Suas características aparecem desde a baixa idade média (do século XI ao XV) com a transferência do centro da vida econômica social e política dos feudos para a cidade. O feudalismo passava por uma grava crise decorrente da catástrofe demográfica causada pela Peste Negra que dizimou 40% da população européia e pela fome que assolava o povo. Já com o comercio reativado pelas Cruzadas (do século XI ao XII), a Europa passou por um intenso desenvolvimento urbano e comercial e, consequentemente, as relações de produção capitalista se multiplicaram, minando as bases do feudalismo. Na idade Moderna, os reis expandem seu poderio econômico e político através do mercantilismo e do absolutismo.
Com o absolutismo e com o mercantilismo o Estado passava a controlar a economia e a buscar colônias para adquirir metais (ouro e prata) através da exploração. Isso para garantir o enriquecimento da metrópole. Esse enriquecimento favoreceu a burguesia – classe que detém os meios de produção – que passa a contestar o poder do rei, resultando na crise do sistema absolutista. E com as revoluções burguesas, com a Revolução Francesa e a Revolução Inglesa, estava garantido o triunfo do capitalismo.
A partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, inicia-se um processo ininterrupto de produção coletiva em massa, geração de lucro e acumulo de capital. Na Europa Ocidental, a burguesia assume o controle econômico e político. As sociedades vão superando os tradicionais critérios da aristocracia (principalmente a do privilégio de nascimento) e a força do capitalismo se impõe. Surgem as primeiras teorias econômicas: a fisiocracia e o liberalismo. Na Inglaterra, o escocês Adam Smith (1723-1790), precursor do liberalismo econômico, publica “Uma Investigação sobre Naturezas e Causas da Riqueza das Nações”, em que defende a livre-iniciativa e a não-interferencia do Estado na Economia.
O CAPITALISMO
Em seu sentido mais restrito, o capitalismo corresponde à acumulação de recursos financeiros (dinheiro) e materiais (prédios, máquinas, ferramentas) que têm sua origem e destinação na produção econômica. Essa definição, apesar de excessivamente técnica, é um dos poucos pontos de consenso entre os inúmeros intelectuais que refletiram sobre esse fenômeno ao longo dos últimos 150 anos. São duas as principais correntes de interpretação do capitalismo, divergindo substancialmente quanto a suas origens e conseqüências para a sociedade. A primeira foi elaborada por Marx, para quem o capitalismo é fundamentalmente causado por condições históricas e econômicas. O capitalismo para Marx é um determinado modo de produção cujos meios estão nas mãos dos capitalistas, que constituem uma classe distinta da sociedade. Segundo Marx os modos de produção estão nas mãos dos capitalistas, que constituem uma classe distinta da sociedade.A propriedade privada,divisão social do trabalho e troca são características fundamentais da sociedade produtora de mercadorias. E à produção de mercadorias dedicam-se os produtores independentes privados que possuem a sua força de trabalho, os seus meios de produção e os produtores independentes privados que possuem a sua força de trabalho, os seus meios de produção e os produtos resultantes do seu trabalho.
A divisão social do trabalho é outra condição prévia característica de uma sociedade capitalista. Como nessa sociedade o individuo não tem todas as profissões necessárias para satisfazer as suas múltiplas necessidades ( de alimentação, de vestuário, de habitação, de meios de produção etc.), uma vez que ele possui apenas uma profissão,só consegue subsistir se puder simultaneamente adquirir os produtos do trabalho de outrem. Como nessa sociedade cada pessoa tem uma profissão particular, todos dependem uns dos outros, e isto decorre da divisão do trabalho no seio da produção mercantil.
Os produtos dos diferentes trabalhos privados têm de ser, na sociedade capitalista, trocados. A troca é condição necessária para a subsistência de todos na sociedade, e esse produto a ser trocado, resultado do trabalho, denomina-se mercadoria. Assim, um produto do trabalho só se torna mercadoria num quadro de condições sociais em que imperem a propriedade privada, a divisão social do trabalho e a troca, não podendo ser considerado como tal caso não se verifique essas três condições.
Consequentemente pode-se afirmar que as mercadorias diferenciam-se umas das outras pelo seu valor de uso, uma vez que a cada necessidade específica corresponde uma mercadoria com características especificas. Por sua vez o valor de troca poderia ser caracterizado como sendo a relação ou a proporção na troca de um certo numero de valores de uso de uma espécie contra um certo numero de valores de uso de outra espécie.Mas segundo Lênin,” a experiência quotidiana mostra-nos que, através de milhares de milhões de troca desse tipo, se comparam incessantemente os valores de uso mais diversos e mais díspares.
Se eu trocar, por exemplo, duas blusas por um par de sapatos, porque sou alfaiate e só produzo roupas, mas preciso de sapatos para proteger meus pés, estarei equiparando o produto do meu trabalho como alfaiate, isto é, duas blusas ao par de sapatos que desejo comprar.
Quando duas coisas são equivalentes e equiparáveis, tais coisas são iguais. Todavia, verifica-se que as mercadorias permutadas têm diferença entre si, não são iguais. Que há em comum entre coisas diferentes, que são tornadas constantemente equivalentes num determinado sistema de relação social?
O que elas têm em comum é o fato de serem produtos do trabalho. Enquanto valores de uso, as mercadorias são produtos de um trabalho pratico especifico: as blusas são trabalhos do alfaiate, um par de sapatos é produto do trabalho do sapateiro etc. Da mesma forma que os valores de uso dos produtos específicos são diferentes, as diferentes espécies de trabalho necessárias à sua produção também não são iguais. Não obstante, todas as mercadorias são produtos do trabalho humano geral, relativamente ao qual são todas iguais.
A grandeza do valor é determinada pela quantidade de trabalho socialmente necessária ou pelo tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria, de determinado valor de uso.
Assim, o valor da mercadoria é determinado pelo tempo de trabalho necessário à sua produção. Entretanto, isso não quer dizer que o produto de um trabalhador mais lento ou preguiçoso valha mais do que o produto de um trabalhador mais rápido. Isto porque não se pode tomar como padrão para a produção de valor a produtividade individual de um único produtor tomado isoladamente. Trata-se aqui de um trabalho médio, chamado socialmente necessário. Resulta que o valor da mercadoria é determinado pelo tempo socialmente necessário para sua produção; é este o padrão que determina a quantidade de valor das mercadorias.
Após estudar a natureza dupla da mercadoria – os seus valores de uso e de troca – e verificar que a quantidade de tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria, Marx entrega-se à tarefa de investigar a origem da forma dinheiro do valor, estudando o processo histórico do desenvolvimento da troca. Começa pelos atos de troca particulares e fortuitos (“forma simples, particular ou acidental do valor” uma quantidade determinada de uma mercadoria é trocada por uma quantidade determinada de outra mercadoria), para passar à forma geral do valor, quanto várias mercadorias diferentes são trocadas por uma só mercadoria determinada, finalizando pela forma de dinheiro do valor, em que o ouro aparece como essa mercadoria determinada, como o equivalente geral.
“Assim, o dinheiro é o intermediário da troca de mercadorias, servindo como meio de circulação, que segundo Marx em sua obra O Capital:” o dinheiro que circula transforma-se assim em capital. Assim , antes de prosseguirmos, torna-se necessária a analise das diferenças existentes entre as características que lhes são comuns.
Pode-se afirmar que é comum às duas circulações o fato de consistirem numa compra e numa venda e de alem disso, na permuta M_D e D_M, os valores trocados serem iguais. A circulação D_M_D começa e termina pelo dinheiro, o próprio valor de troca. Contudo, como aqui só o dinheiro interessa, esse tipo de troca só fará sentido se o possuidor de dinheiro receber no fim mais dinheiro do que aquele com que entrou inicialmente.Em conseqüência, a circulação D_M_D é um movimento com base no dinheiro _ e significa não D_M_D, mas D_M_D , querendo-se com D exprimir a quantidade4 final de dinheiro.E esta quantidade de dinheiro devera ser maior do que a quantidade de dinheiro inicial (D).”É a este acréscimo do valor primitivo do dinheiro posto em circulação que Marx chama mais-valia “, conforme escreve Lênin. Só por este processo de expansão do valor, de valorização, o dinheiro se transforma realmente em capital.
Mas a soma de dinheiro tem que ser maior no fim do processo do que no principio e, consequentemente, o processo de expansão do capital não conhece limites.
Segundo Marx, a mais-valia não pode provir da circulação das mercadorias, porque esta só conhece a troca de equivalentes.
Para se obter a mais-valia, de acordo com Marx, “seria preciso que o possuidor do dinheiro descobrisse no mercado uma mercadoria cujo valor de uso fosse dotado da propriedade singular de ser fonte de valor”, uma mercadoria cujo processo de consumo fosse, ao mesmo tempo, um processo de criação de valor; criação de mais-valia. E essa mercadoria existe: é à força de trabalho humana. O seu uso é o trabalho, e o trabalho cria valor.
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O aumento da mais-valia é possível graças a dois processos fundamentais: o prolongamento da jornada de trabalho (mais-valia absoluta) e a redução do tempo de trabalho necessário (mais-valia relativa).
Assim, recuperando o exposto até o momento neste subtítulo, Marx analisa a mercadoria com as suas duas funções, a de valor de uso e a de valor de troca, antes de mostrar como o dinheiro converte-se em capital a partir do momento em que a força de trabalho humano converte-se em mercadoria. Passa então a estudar a importante questão da forma como se produz a mais-valia, ou seja, modo como é produzida pelos operários e apropriada pelos capitalistas. O passo seguinte consiste em deduzir como a relação entre o capital e o trabalho se altera quando se encara o processo de produção capitalista como um processo continuo um processo que se repete ininterruptamente.
Não basta que uma soma de dinheiro se valorize apenas uma vez. Terá de expandir continuamente o seu valor e numa escala progressiva ampliada. No Guia para a leitura do Capital lê-se que “é a concorrência que força cada capitalista individual a observar esta tendência emanante do capital. Para sobreviver, aquele tem que expandir constantemente a sua fabrica, quer dizer, converter constantemente uma grande parte da mais-valia produzida em capital adicional, e comprar meios de produção e força de trabalho suplementares”. Acrescenta Marx que “a utilização da mais-valia como capital”. A produção de mais-valia só poderá aumentar continuamente por uma acumulação ininterrupta. Inversamente, tal acumulação só é possível por um constante aumento da produção de mais-valia.
Os fatores de produção comprados pelo capitalista (meios de produção e força de trabalho) tem que desempenhar a função de fatores de trabalho e fatores de valorização do capital, e o nível das forças produtivas determina a proporção entre a quantidade de meios de produção e a força de trabalho, que corresponde a uma razão determinada entre os valores do capital constante e do capital variável.
Segundo Marx, quando a produtividade do trabalho aumenta graças a algum melhoramento técnico _ isto é, quando o operário passa a produzir mais do que antes durante o mesmo período de tempo, utiliza-se maio quantidade de meios de produção. Por conseguinte, a razão entre os meios de produção e a força de trabalho e entre o capital constante e o capital variável sofre uma alteração. Quando um determinado aumento de produtividade do trabalho leva a uma modificação da razão entre o capitalismo constante e o capitalismo variável, Marx fala do aumento da composição orgânica do capital. À medida que a quantidade de meios de produção aumenta com relação à massa da força de trabalho, sob o aspecto do valor, o capital constante aumenta e o capital variável se reduz.
Marx deixa claro em O capital que o movimento do capital não se esgota na acumulação, isto é, na ininterrupta transformação da mais-valia em capital suplementar. Há uma feroz luta concorrencial entre os capitalistas individuais, que se esforçam para produzir a maior quantidade possível de mercadorias e vende-las ao menor preço. Nessa concorrência saem vitoriosos os capitalistas que tiverem criado as melhores condições de produção.
As pequenas e médias empresas são comparadas pelas maiores, ou ainda duas grandes firmas unem-se para eliminar uma terceira. Marx denomina esse processo de centralização do capital. E a centralização de vários pequenos capitais em um só, mas maior, acelera a acumulação do capital: os capitais de maior dimensão estão em melhores condições financeiras do que os de menor dimensão para produzir nova maquinaria e aperfeiçoamento técnico. Assim, a produtividade do trabalho cresce muito mais rapidamente nas grandes empresas capitalistas, aumentando portanto a quantidade de mais-valia e de capital que pode ser acumulada. Esse valor mais elevado permite introduzir novos métodos de produção, e tal fato acarreta uma renovada aceleração do crescimento da composição orgânica do capital. Marx afirma que “as massas de capital que se fundem de um momento para outro pela centralização reproduzem-se e multiplicam-se tal como outra só que rapidamente, tornando-se, portanto novas e poderosas alavancas de acumulação social, incluindo tacitamente nisto os efeitos da centralização”.
O crescimento ininterrupto da composição orgânica do capital significa que o capital variável diminui relativamente ao capital constante. Alcançada maior produtividade do trabalho, os operários produzem uma quantidade de produtos maior do que antes, no mesmo período de tempo. Fazem maior sobre trabalho e produzem maior montante de mais-valia acumulável. O capital que se expande pela acumulação tem que transformar parte da mais-valia em capital constante e outra parte em capital variável, podendo-se conseguir isso de duas partes em capital variável, podendo-se conseguir isso de duas maneiras: ou pura e simplesmente alarga-se a escala de produção, permanecendo constante o nível técnico, ou introduzem-se aperfeiçoamentos técnico, e, nesse caso, o numero de operários diminui relativamente. Uma parte dos trabalhadores não poderá mais vender a sua força de trabalho e perdera os seus empregos. Marx designa esta fração da classe operaria por exercito industrial de reserva.
A produção nem sempre alcança o seu Maximo (ou o seu pleno), havendo maquinas paradas e matérias-primas acumuladas nas instalações da empresa. Em conseqüência disso, muita trabalhadores são despedidos.
Quando nem todas as mercadorias da empresa conseguem ser escoadas para o mercado e transformadas em dinheiro, ocorre uma diminuição da acumulação. O processo de acumulação capitalista segue uma trajetória de constante altos e baixos, onde períodos de negócios florescentes alternam-se com a estagnação e as quebras do mercado. Marx designa esse movimento por ciclo industrial (habitualmente chamado também de ciclo econômico). Esse ciclo é constituído por cinco fases que se seguem umas às outras e indicam a respectiva situação da produção: Marx designa essas fases de período de atividade moderada, de prosperidade, de superprodução, de crise e de estagnação.
A procura do trabalho por parte do capital aumenta ou diminui conforme o estado dos negócios. Na fase de prosperidade e superprodução, pode acontecer de a procura de trabalho excede a oferta. Nessa situação, os trabalhadores que anteriormente formavam o exercito industrial de reserva encontram empregos e os salários sobem, porque o capital precisa de mais trabalhadores do que os que há. Todavia, num período de crise ou numa situação de restrição da produção, os trabalhadores são despedidos em grandes quantidades e o exercito de reserva volta a crescer. Os salários diminuem, e uma grande parte daqueles que não são despedidos tem muitas vezes de se contentar com um emprego em tempo parcial e a correspondente redução dos salários. O movimento da acumulação e o ciclo industrial determinam o numero de pessoas que faz do exercito industrial de reserva, isto é, determinam à quantidade de trabalhadores que pode vender sua força de trabalho em determinado momento.
Assim, para finalizar este segundo item, interessa retomar alguns dos aspectos arrolados, que permitem melhor explicitação da definição do capitalismo. Este constitui-se em um sistema de organização da economia que pressupõe a existência de trabalhadores emancipados de obstáculos feudais, tradicionais, como a servidão, a escravidão etc. O curso histórico do capitalismo _ ultrapassadas suas origens manufatureiras e sua era heróica de luta contra o feudalismo, apresenta no nível econômico e social dois fenômenos fundamentais:
• o surgimento de um capital concentrado e com vocação monopolistica que, uma vez exauridos os mercados internos, tende a expandir-se pelo mundo todo, constituindo uma vasta rede imperialista;
• o surgimento de uma classe operaria organizada, que se apresenta com clara vocação universalista.
Esses fenômenos transcendem o marco histórico e mental de Marx, principalmente o surgimento do imperialismo, que excedeu as possibilidade de sua investigações.
A explicação alternativa foi apresentada por Weber, e enfatiza aspectos culturais que permitiram a expansão do capitalismo. Para ele, o desejo pelo acúmulo de riquezas sempre existiu nas sociedades humanas, como no Império Romano ou durante as grandes navegações, mas até meados do século XVII faltavam condições sociais que justificassem a sua perseguição ininterrupta. Para demonstrar isso ele aponta as amplamente conhecidas condenações feitas pela Igreja Católica às práticas da usura e do lucro pelos comerciantes ao longo do século XV e XVI. Contrapondo-se à concepção cristã medieval preservada pelo catolicismo, que exigia como requisito fundamental o desprendimento dos bens materiais deste mundo, o protestantismo pregado por Weber valorizava o trabalho profissional como meio de salvação do homem. Se tais restrições fossem mantidas pelo catolicismo, a chamada "acumulação primitiva" não teria sido possível. A mudança ocorre com a reforma religiosa promovida por Lutero e principalmente Calvino. Segundo eles, a atividade profissional estaria associada a um dom ou vocação divina, e, portanto seria da vontade de Deus que elas fossem exercidas.
Assim o trabalho, que antes era visto como um mal necessário passa a ter uma valorização positiva (v. valores). Mais que isso, Calvino aponta o trabalho como a única forma de salvação, e a criação de riquezas pelo trabalho como um sinal de predestinação. Mas segundo a pregação calvinista o homem deve combater sua tendência ao prazer e ao gozo, privando-se de todas as coisas que não são estritamente necessárias para a sua subsistência ou para que possa levar um estilo de vida digno e seguro, condena, particularmente, tudo aquilo que implique desperdício ou esbanjamento.Eles também pregam que a riqueza criada deve ser reinvestida, deve servir de estímulo para que sejam criadas novas formas de trabalho. Esses dogmas religiosos, juntamente com outros menores como a contabilidade diária de seu tempo, de maneira que o homem não desperdice um minuto sequer de seu tempo, porque a duração da vida é infinitamente breve e preciosa, formam o fundamento de uma ética, isto é, de um conjunto de normas que rege a conduta diária do fiel. Essas normas, ao se encaixarem as exigências administrativas da empresa (valorização do trabalho e busca do lucro), criam as condições necessárias para a expansão da mentalidade (ou do "espírito", como o denomina Weber) capitalista e posteriormente da sociedade industrial.
Essa mentalidade acabou configurando a tipologia do empresário moderno, do homem com “iniciativa”, que acumula capital não para seu próprio desfrute, mais sim para criar mais riqueza, conseguindo, através dela, o enriquecimento da nação e do bem-estar geral. Assim é que as atuais noções de “negocio”, de “empresas”, de “profissão”, de “oficio” estão delineadas a base nessa ética protestante, preferencialmente calvinista.
Segundo a interpretação de Weber o objetivo do capitalismo é sempre e em todo lugar, aumentar a riqueza alcançada, aumentar o capital. E esse processo de enriquecimento constitui uma indicação segura de que se está “predestinado”. E é nesse ponto que é possível observar, de acordo com a concepção de Weber, as estreitas relações entre as aspirações religiosas do calvinismo e as aspirações mundanas do capitalismo. Esta explicação demonstra sua consistência quando observamos o elevado estágio de desenvolvimento econômico das sociedades que abrigaram representantes da Reforma (calvinistas, metodistas, anglicanos...): a Alemanha (berço da Reforma), a Inglaterra (pátria do Anglicanismo), os Estados Unidos (destino de milhares de protestantes expulsos da Irlanda católica e outros tantos imigrantes anglicanos ingleses), e os Países Baixos.
domingo, 26 de abril de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009
Aí está a história de John Nash.
(para entender o filme Uma Mente Brilhante).John Nash nasceu no dia 13 de Junho de 1928 em Bluefield, West Virginia, nos Estados Unidos. O seu pai, também John, era engenheiro eléctrico e sua mãe, Virginia, era professora. Foi ela quam incentivou sua curiosidade intelectual, ajudando-o a obter uma boa formação académica.
Ainda criança, Nash já mostrava ser solitário e introvertido, preferindo os livros a brincar com com outras crianças. Na escola, os professores não reconheciam Nash como um prodígio. Consideravam-no como uma criança extremamente anti-social. Aos doze anos, cada vez mais isolado, Nash refugiava-se no seu quarto, dedicando-se a fazer experiências científicas com as quais aprendia mais do que na escola. Por volta dos 14 anos de idade surgiu o seu interesse pela matemática, quando leu a obra “Men of Mathematics” (1937), de T. Bell. Nessa época, conseguiu provar para si mesmo alguns resultados de Fermat.Em 1941, ingressou na Universidade de Bluefield onde demonstrou e desenvolveu as suas capacidades matemáticas. Os colegas olhavam-no como um estranho, uma pessoa difícil de entender. Um episódio trágico veio agravar ainda mais o isolamento de Nash: numa explosão causada por uma experiência química levada a cabo por Nash e um colega seu foi mortalmente atingido.Em Junho de 1945, Nash ingressou na prestigiosa Universidade de Carnegie Mellon onde lhe foi oferecida uma bolsa de estudos. Iniciou a sua carreira universitária estudando química e depois matemática. John Synge, responsável pelo departamento de matemática, reconhecendo no jovem um grande talento, incentivou-o a dedicar-se à matemática. Em 1948, foi aceito no programa de doutoramento em matemática em duas das mais famosas universidades dos Estados Unidos: Harvard e Princeton. A sua escolha recaiu sobre Princeton. Aí demonstrou interesse por vários campos da matemática pura: Topologia, Geometria Álgebra, Teoria do Jogo e lógica. Mas, mesmo em Princeton, Nash evitava comparecer às palestras e aulas. Aprendia sozinho, sem a ajuda de professores ou mesmo de livros.Ainda antes de acabar o curso provou o teorema do ponto fixo de Brouwer. Algum tempo depois resolveu um dos enigmas de Riemann que mas perplexidade causava. Em 1949, aos 21 anos, Nash, escreveu uma Tese de doutoramento que, 45 anos mais tarde, lhe daria o Prémio Nobel de Economia. O trabalho, conhecido como o "Equilibrio de Nash" (Non-cooperative games) irá revolucionar o estudo da estratégia econômica.Em 1950, Nash começa a trabalhar para a RAND Corporation, instituição esta que canalizava fundos do governo dos Estados Unidos para estudos científicos relacionados com a guerra fria. Nash aplicou os seus recentes avanços na teoria dos jogos para analisar estratégias diplomáticas e militares. Simultaneamente continuava a dar aulas em Princeton.Um ano depois, em 1951, Nashfoi convidado para professor de matemática do MIT onde trabalhou até 1959. No decorrer da sua estadia no MIT, os problemas psíquicos começaram a agravar-se. Apesar do seu frágil equilíbrio psíquico, em 1953, teve um filho com Eleanor Stier a quem foi dado o nome de John David Stier. No entanto, contra a vontade de Eleanor, Nash nunca se casou. No verão de 1954, Nash foi detido pela policia numa operação de perseguição a homossexuais. Como consequência foi expulso da RAND Corporation.Em 1957, casou-se com Alicia, uma estudante de física do MIT. Um ano mais tarde, começa a sofrer de esquizofrenia. Alicia decide, algum tempo depois, divorciar-se continuando embora a ajudá-lo na luta contra a sua doença. Nash teve que desistir do posto de professor no MIT e foi hospitalizado contra a sua vontade. A situação era extremamente irregular. Nash recuperava temporariamente, mas logo depois voltava a sofrer distúrbios mentais. Nos breves intervalos da sua recuperação, produzia importantes trabalhos matemáticos. Em 1958 o seu estado mental agravou-se mas, em 1990, conseguiu recuperar da doença.Em 1994 recebe, juntamente com John C. Harsanyi e Reinhard Selten, o Prémio Nobel da Economia pelo seu trabalho na Teoria dos Jogos (Theory of Non-cooperative Games).
Gostei muito do filme,que retrata a vida de um matemático com seus problemas de esquizofrenia. Tive alguns alunos esquizofrênicos, por dar aulas de artes plásticas(durente algum tempo, tive um ateliê) e então, vivia lendo sobre o assunto para que pudesse ter facilidade quando estava com eles.Também trabalhei,na minha juventude, num cartório e um dos filhos da serventuária era esquizofrênico.
Meinteressei pelo filme e além de chorar muito, me trouxe umasérie de questionamentos de como funciona o ser humano,como um todo....como funciona nosso coração/ cérebro/ nossa alma!
Quero contar um segredo!
Durante muito tempo me debati contra fazer este curso de serviço social...... aos dezoito anos,trabalhei junto da primeira dama da cidade em que nasci, e me deparei com alguns profissionais que me decepcionaram......(pode ser que por conta da idade, tudo se torna mais fácil e queremos usar de agilidade em tudo) então,achava que a profissão, além de fazer o paternalismo,ainda demorava demais para funcionar.
De lá pra cá, muito estudei,muito li e muito trabalhei na área.....
Quando cheguei em São Paulo, (1995), já fui logo visitando as áreas livres (que então, chamávamos de favelas) e observar o gerenciamento disso tudo ( na cidade em nasci não existe favelas)- uma cidade muito pequena.
Conviver diariamente com esta população faz com que entendamos de fato,o dia a dia árduo, com preconceitos/ separatismos mesmo!
Agora, vem cá!
Isso tem a ver com tudo que a gente lê ou assiste, porque cada história, cada caso, faz com que paramos para pensar/ avaliar/ entender e então, buscarmos através do profissionalismo, as melhorias na sociedade.
Ir à Campo, é completamente diferente de toda teoria.
Quando a gente se depara com a situação cara a cara é que o corpo estremece, e um tantão de dúvidas permeiam nosso cérebro.
Uma avaliação errada/umadecisão equivocada mexe com toda uma familia.
Tenho sentido isso, cada dia mais real, e assim,como aprendo muito, não dá pra brincar de querer fazer serviço social, simplesmente porque nos dá o conforto de continuarmos nas nossas instituições, nos nossos carguinhos municipais....nas nossas igrejas, na comunidade, porque afinal, vidas estão à nossa frente e dependem do nosso profisionalismo,da nossa capacidade de enxergar exatamente o que estamos vendo!Escutar simplesmente o que estamos ouvindo!
-Uma Mente Brilhante-
Há algo na palavra "gênio" que mexe conosco. Por que será que há algumas pessoas que saem do convencional e conseguem ver o que outras não vêem, escutar o que outras não escutam ou, mais intrigante ainda, descobrir o que os outros não conseguem? Nomes como "Einstein", "Isaac Newton", "Galileu" ou mesmo "Charlie Chaplin" e "Orson Welles" passam por nossa cabeça com um misto de admiração e estranheza. E, mais intrigante ainda, é a seguinte questão: até que ponto a genialidade, se levada ao extremo, não pode ser comparada à loucura?Estes são os temas tratados por "Uma Mente Brilhante", o mais novo filme do diretor Ron Howard. O filme mostra a história real do matemático John Nash, gênio precoce da Universidade de Princeton que se destacou elaborando uma teoria revolucionária que poderia ser aplicada à economia moderna, contradizendo 150 anos do reinado de Adam Smith na área. Nash, em mais uma interpretação brilhante de Russel Crowe (de "Gladiador" e O Informante) é um rapaz tímido e introvertido que, se tem inteligência sobrando, peca feio na "sociabilidade". Ao ser convidado por uma garota a se sentar com ela em um bar, ele diz que não sabe exatamente o que falar, mas já que a finalidade do experimento é a troca de fluidos, por que eles não pulavam o ritual do bate papo e iam logo para o sexo?
Nash passa seus dias trancafiado na biblioteca de Princeton escrevendo fórmulas matemáticas enigmáticas nos vidros das janelas ou em seus aposentos conversando com Charles (Paul Bettany), seu melhor amigo e colega de quarto. Ele fica o tempo todo procurando pela "idéia original" que o separaria da mesmice do resto dos matemáticos e o faria importante. Há vários momentos que lembram outro filme com tema semelhante, o bom "Gênio Indomável", escrito e atuado por Matt Damon e que lhe rendeu o Oscar de roteiro em 1998. Creio que há outra fascinação do público por pessoas lidando com fórmulas matemáticas como se seus cérebros fossem habitados pelo mais avançado processador "Pentium". Enquanto o personagem de "Gênio Indomável" era alguém que não queria a fama e fugia do reconhecimento, o personagem de Russel Crowe é um rapaz obviamente procurando uma maneira de se destacar e provar que ele vale alguma coisa.
O reconhecimento vem com a publicação de sua teoria sobre o "equilíbrio" e um emprego em Washington, como decifrador de códigos e, coisa que odeia, professor de matemática avançada. Em plena Guerra Fria, um dia ele é chamado no Pentágono para decifrar um código russo recém capturado e em questão de horas Nash consegue descobrir padrões e coordenadas importantes apenas olhando para o código. Ele então é visitado por William Parcher (Ed Harris, sempre dando um show), um enigmático e sombrio agente do governo que o contrata para procurar por mensagens do inimigo escondidas em revistas e jornais publicadas no país. Há um momento mágico, que dura um relance, em que a interpretação de Crowe é tão boa que podemos perceber a profunda gratidão de Nash a Parcher por estar confiando nele para um serviço tão importante. Mesmo sendo um "doutor" importante e bem pago, ele ainda é o rapaz procurando por reconhecimento dos tempos de faculdade.
Mas nem tudo é matemática na vida de John Nash. "Uma Mente Brilhante" tem a participação "iluminada" de Jennifer Connelly, que começou no cinema com "Era Uma Vez Na América" e depois faria "Labirinto", com David Bowie, "Rocketeer" de Joe Jonston e "The Hot Spot", enigmático filme de Dennis Hooper. Ela volta às telas como Alicia, uma das alunas de Nash, que consegue ver por cima da proteção fria e matemática dele e conquistar seu coração. Os dois se casam e tudo parece ir às mil maravilhas, quando de repente o filme dá uma guinada de cento e oitenta graus que nos faz questionar tudo aquilo que havíamos assistido até então.
Cada vez mais paranóico e vendo padrões e conspirações soviéticas em todos os lugares, John Nash finalmente perde o controle sobre a própria mente e torna-se completamente esquizofrênico, sendo internado em um hospital psiquiátrico. É então que tanto Nash quanto nós espectadores somos enfrentados por duras perguntas e dúvidas sobre o que é real ou não. Nash estava realmente trabalhando para o governo? Seu trabalho procurando padrões em revistas é realmente de segurança nacional ou não passa do delírio de uma mente desequilibrada? E, mais assustador ainda, seriam alguns dos personagens com o qual já nos familiarizamos reais ou são frutos da imaginação de Nash? Quem é real e quem é imaginário?
O filme de repente torna-se parecido com "Tempo de Despertar", em que o médico interpretado por Robin Williams tem que lidar com pessoas esquizofrênicas como Leonard, papel de Robert DeNiro. A direção segura de Ron Howard e a competência dos atores é tremenda e passamos a trilhar pela mente agora perturbada de John Nash, que não consegue mais distinguir entre quem são seus amigos de verdade ou seus companheiros imaginários. As situações mais banais, como quando Nash vai dar banho em seu bebê tornam-se tensas de suspense por ele não ter mais controle da realidade e criam tensão com a esposa Alicia, que não sabe quando pode confiar no marido.
"Uma Mente Brilhante" é forte candidato ao Oscar do próximo dia 24 de março. O filme já levou o Globo de Ouro de Melhor Filme, Ator (Russel Crowe, que pode levar seu segundo Oscar consecutivo), Atriz Coadjuvante (Jennifer Connelly, merecidamente) e roteiro (de Akiva Goldsman).
Um grande filme, mais um a lidar com este enigma que é a matemática e a mente humana.
João Solimeofevereiro de 2002
(ps: adicionado em setembro de 2002: Uma Mente Brilhante realmente venceu o Oscar de Melhor Filme, e Connelly venceu o de Melhor Atriz Coadjuvante. Já Russel Crowe, que é a alma do filme, viu seu prêmio ser dado a Denzel Washington em uma premiação pra lá de "politicamente correta" e suspeita, em que nada menos do que três atores negros foram premiados na mesma noite, que ainda foi apresentada por Whoopy Goldberg).
segunda-feira, 20 de abril de 2009

(para a classe :pesquisa)
Com a idade de dezesseis anos, em 1814, Comte ingressou na Escola Politécnica de Paris, fato que teria significativa influência na orientação posterior de seu pensamento. Em carta de 1842 a John Stuart Mill (1806-1873), Comte fala da Politécnica como a primeira comunidade verdadeiramente científica, que deveria servir como modelo de toda educação superior. A Escola Politécnica tinha sido fundada em 1794, como fruto da Revolução Francesa e do desenvolvimento da ciência e da técnica, resultante da Revolução Industrial. Embora permanecesse por apenas dois anos nessa escola, Comte ali recebeu a influência do trabalho intelectual de cientistas como o físico Sadi Carnot, (1796-1832), o matemático Lagrange (1736 -1813) e o astrônomo Pierre Simon de Laplace (1749-1827). Especialmente importante foi a influência exercida pela Mecânica Analítica de Lagrange: nela Comte teria se inspirado para vir a abordar os princípios de cada ciência segundo uma perspectiva histórica.
Em 1816, a onda reacionária que se apoderou de toda a Europa, depois da derrota de Napoleão e da Santa Aliança, repercutiu na Escola Politécnica. Os adeptos da restauração da Casa Real dos Bourbon conseguiram o fechamento temporário da Escola, acusando-a de jacobinismo Comte deixou a Politécnica e, apesar dos apelos insistentes da família, resolveu continuar em Paris. Nesse período sofreu as influências dos chamados “ideólogos”: Destutt de Tracy (1754 – 1836), Cabanis (1757 - 1808) e Volney (1757 - 1820). Leu também os teóricos da economia política, como Adam Smith (1723 - 1790) e Jean-Baptiste Say (1767 - 1832), filósofos e historiadores como David Hume (1711 - 177 6) e W William Robertson (1721 - 1793). O fator mais decisivo para sua formação foi, porém, o estudo do Esboço o de um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano, de Condorcet (1743 - 1794), ao qual se referiria, mais tarde, como "meu imediato predecessor". A obra de Condorcet traça um quadro do desenvolvimento da humanidade, no qual os descobrimentos e invenções da ciência e da tecnologia desempenham papel preponderante, fazendo o homem caminhar para uma era em que a organização social e política seria produto das luzes da razão: Essa idéia tornar-se-ia um dos pontos fundamentais da filosofia de Comte.
O filósofo e sua musa
Um ano depois de sair da Escola Politécnica, em 1817, Comte tornou-se secretário de Saint-Simon (1760 - 1825), do qual receberia profunda influência. Em carta de 1818, Comte declara, sobre suas relações com Saint-Simon: "Pela cooperação e amizade com um desses homens que vêem longe nos domínios da filosofia política, aprendi uma multidão de coisas, que em vão procuraria nos livros; e no meio ano durante o qual estive associado a ele meu espírito fez maiores progressos do que faria em três anos, se eu estivesse sozinho; o trabalho desses seis meses desenvolveu minha concepção das ciências políticas e, indiretamente, tornou mais sólidas minhas idéias sobre as demais ciências...”.
Essa íntima ligação intelectual foi extremamente proveitosa para Comte, pois acelerou seu processo de desenvolvimento. Terminou, contudo, de maneira tempestuosa, como acontecia com quase todas as relações pessoais de Comte. Ele e Saint-Simon eram de temperamentos muito diversos para que pudessem trabalhar juntos durante muito tempo: o rompimento ocorreu quando o discípulo começou. a sentir-se independente do mestre, discordando de suas idéias sobre as relações entre a ciência e a reorganização da sociedade. Comte não aceitava o fato de Saint-Simon, nesse período, deixar de lado seus planos de reforma teórica do conhecimento e dedicar-se a tarefas práticas no sentido de formar uma nova elite industrial e científica, que teria como alvo a reforma da ordem social. O conflito culminou com a publicação do Plano de Trabalhos Científicos Necessários à Reorganização da Sociedade, escrito por Comte e do qual Saint-Simon discordou ou. A separação entre o s dois ocorreu em 1824. No mesmo ano, Comte casou-se com Caroline Massin e, não tendo mais os proventos de secretário de Saint-Simon, passou a ganhar a vida dando aulas particulares de matemática. Dois anos depois, exatamente no dia 2 de abril de 1826, iniciou em sua própria casa um curso, do qual resultou uma de suas principais obras, o Curso de Filosofia Positiva, em seis volumes, publicados a partir de 1830. Alguns dos maiores nomes da época freqüentavam suas aulas, como o fisiólogo HenriMarie de B Blainville (1777 - 1850) e o psicólogo Jean-Étienne Esquirol (1772 - 1840).
O curso, no entanto, foi interrompido logo na terceira aula, devido à crise mental sofrida por Comte, à qual se seguiu profunda depressão melancólica. Depois disso, Comte tornou-se repetidor de análise matemática e de mecânica, não tendo conseguido elevar-se a funções superiores, apesar de várias tentativas em concursos para obtenção de cátedra. Em 1838, as relações com a esposa pioraram sensivelmente até a completa separação em 1842.
Dois anos após separar-se de Caroline, Comte publicou o Discurso sobre o Espírito Positivo, ao mesmo tempo em que perdeu o posto de examinador de admissão na Escola Politécnica. A exclusão definitiva da Escola Politécnica resultou sobretudo das críticas aos matemáticos, feitas no prefácio do último volume do Curso de Filosofia Positiva, editado em 1842. Atacar o os especialistas em matemática, Comte afirmava ter chegado o tempo de os biólogos e sociólogos ocuparem o primeiro posto no mundo intelectual.
A perda do meio de sobrevivência fez com que Comte passasse a ser sustentado por amigos e admiradores, como o filósofo John Stuart Mill (1806-1873) e o dicionarista Littré (1801-1881), seu entusiasmado discípulo.
Em 1844, Comte conheceu a mulher que iria transformar sua vida e dar nova orientação ao seu pensamento. Chamava-se Clotilde de Vaux e era esposa de um homem que se encontrava preso por crime infamante. Clotilde de Vaux, contudo, considerava indissolúvel seu casamento não permitindo que suas relações com o filósofo ultrapassassem os limites de uma íntima amizade. Comte apaixonou-se perdidamente por Clotilde e pretendeu transformá-la em nova Beatriz, a musa de Dante. Nela, encontrou alguém que lhe permitiu expressar todos os seus sentimentos e necessidades emocionais. A afeição tornou-se ainda mais profunda com a morte de Clotilde, um ano depois. Comte transformou-a então no gênio inspirador de uma nova religião, cujas idéias se encontram numa extensa obra em quatro volumes, publicados entre 1851 e 1854: Política Positiva ou Tratado de Sociologia Instituindo a Religião da Humanidade. Além dessa obra, Comte publicou, em 1852, o Catecismo Positivista ou Exposição Sumária da Religião Universal. Para esse trabalho, preparou-se, fazendo “higiene cerebral”, por ele entendida como abstenção de quaisquer leituras e aprofundamento na meditação solitária. Pretendia, assim, afastar-se de todos os elementos perturbadores e assegurar unidade ao projeto de constituição das doutrinas da nova religião: Nesse mesmo período, dedicou-se ao estudo da música, à poesia italiana e espanhola e à leitura da Imitação de Cristo, obra que considerava um grande poema sobre a natureza humana. A palavra "Deus" do texto da Imitação deveria, segundo Comte, ser entendida como significando a humanidade em geral.
Trabalho Infantil
Estamos fingindo que não estamos vendo!!!!!!!!!
Miséria
Temos que estar atentos!
Novidades
Até amanhã (26/04) teremos no blog, passo a passo de como montar um portfólio.
Fiquem atentos porque todos saberão ao menos ,as noções básicas. Já estou montando os textos e publicarei.
Na terça feira(28/04) irei na facul pegar as notas da sala toda.Quem não puder comparecer,não se preocupe!
A aula do sábado ficou transferida para a quinta feira(próxima).Já enviei e-mail para o Bassi.
Mais novidades, publicarei amanhã.
Inté mais vêr.
Amo vcs.
Rosi Ribeiro
multidão
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Salve RapaHá 6 anos
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Bom Dia/ Boa Tarde/ Boa Noite.........
Não dá pra passar em branco quando se fala de serviço social....quantas foram as vezes que me atribui na não função do serviço social,por achar que não valeria a pena!
Aí me deparei com o apêlo pra fazer algo a mais, quem sabe se já não era mesmo a hora de sair do muro e dar a cara pra bater mesmo,muito além do que já dei?
São tantas as situações que me incomodam que decidi dividir todas as angústias,porque afinal, somos todos ,um amontoado de indivíduos anciosos por fazer,mesmo não sabendo por onde começar!
Sejam Bem Vindos!!!!!!
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Aula 01 / Perspectiva histórica da Formação Humana.
O texto do dia de hoje(01/05) está muito bacana e fala sobre o capitalismo.Achei interessante colocá-lo pois uma das atividades é a reflexão sobre os fatores que determinaram o seu nascimento .
Então, vamos à leitura.
Até a próxima lição.