Gostei muito do filme,que retrata a vida de um matemático com seus problemas de esquizofrenia. Tive alguns alunos esquizofrênicos, por dar aulas de artes plásticas(durente algum tempo, tive um ateliê) e então, vivia lendo sobre o assunto para que pudesse ter facilidade quando estava com eles.Também trabalhei,na minha juventude, num cartório e um dos filhos da serventuária era esquizofrênico.
Meinteressei pelo filme e além de chorar muito, me trouxe umasérie de questionamentos de como funciona o ser humano,como um todo....como funciona nosso coração/ cérebro/ nossa alma!
Quero contar um segredo!
Durante muito tempo me debati contra fazer este curso de serviço social...... aos dezoito anos,trabalhei junto da primeira dama da cidade em que nasci, e me deparei com alguns profissionais que me decepcionaram......(pode ser que por conta da idade, tudo se torna mais fácil e queremos usar de agilidade em tudo) então,achava que a profissão, além de fazer o paternalismo,ainda demorava demais para funcionar.
De lá pra cá, muito estudei,muito li e muito trabalhei na área.....
Quando cheguei em São Paulo, (1995), já fui logo visitando as áreas livres (que então, chamávamos de favelas) e observar o gerenciamento disso tudo ( na cidade em nasci não existe favelas)- uma cidade muito pequena.
Conviver diariamente com esta população faz com que entendamos de fato,o dia a dia árduo, com preconceitos/ separatismos mesmo!
Agora, vem cá!
Isso tem a ver com tudo que a gente lê ou assiste, porque cada história, cada caso, faz com que paramos para pensar/ avaliar/ entender e então, buscarmos através do profissionalismo, as melhorias na sociedade.
Ir à Campo, é completamente diferente de toda teoria.
Quando a gente se depara com a situação cara a cara é que o corpo estremece, e um tantão de dúvidas permeiam nosso cérebro.
Uma avaliação errada/umadecisão equivocada mexe com toda uma familia.
Tenho sentido isso, cada dia mais real, e assim,como aprendo muito, não dá pra brincar de querer fazer serviço social, simplesmente porque nos dá o conforto de continuarmos nas nossas instituições, nos nossos carguinhos municipais....nas nossas igrejas, na comunidade, porque afinal, vidas estão à nossa frente e dependem do nosso profisionalismo,da nossa capacidade de enxergar exatamente o que estamos vendo!Escutar simplesmente o que estamos ouvindo!
-Uma Mente Brilhante-
Há algo na palavra "gênio" que mexe conosco. Por que será que há algumas pessoas que saem do convencional e conseguem ver o que outras não vêem, escutar o que outras não escutam ou, mais intrigante ainda, descobrir o que os outros não conseguem? Nomes como "Einstein", "Isaac Newton", "Galileu" ou mesmo "Charlie Chaplin" e "Orson Welles" passam por nossa cabeça com um misto de admiração e estranheza. E, mais intrigante ainda, é a seguinte questão: até que ponto a genialidade, se levada ao extremo, não pode ser comparada à loucura?Estes são os temas tratados por "Uma Mente Brilhante", o mais novo filme do diretor Ron Howard. O filme mostra a história real do matemático John Nash, gênio precoce da Universidade de Princeton que se destacou elaborando uma teoria revolucionária que poderia ser aplicada à economia moderna, contradizendo 150 anos do reinado de Adam Smith na área. Nash, em mais uma interpretação brilhante de Russel Crowe (de "Gladiador" e O Informante) é um rapaz tímido e introvertido que, se tem inteligência sobrando, peca feio na "sociabilidade". Ao ser convidado por uma garota a se sentar com ela em um bar, ele diz que não sabe exatamente o que falar, mas já que a finalidade do experimento é a troca de fluidos, por que eles não pulavam o ritual do bate papo e iam logo para o sexo?
Nash passa seus dias trancafiado na biblioteca de Princeton escrevendo fórmulas matemáticas enigmáticas nos vidros das janelas ou em seus aposentos conversando com Charles (Paul Bettany), seu melhor amigo e colega de quarto. Ele fica o tempo todo procurando pela "idéia original" que o separaria da mesmice do resto dos matemáticos e o faria importante. Há vários momentos que lembram outro filme com tema semelhante, o bom "Gênio Indomável", escrito e atuado por Matt Damon e que lhe rendeu o Oscar de roteiro em 1998. Creio que há outra fascinação do público por pessoas lidando com fórmulas matemáticas como se seus cérebros fossem habitados pelo mais avançado processador "Pentium". Enquanto o personagem de "Gênio Indomável" era alguém que não queria a fama e fugia do reconhecimento, o personagem de Russel Crowe é um rapaz obviamente procurando uma maneira de se destacar e provar que ele vale alguma coisa.
O reconhecimento vem com a publicação de sua teoria sobre o "equilíbrio" e um emprego em Washington, como decifrador de códigos e, coisa que odeia, professor de matemática avançada. Em plena Guerra Fria, um dia ele é chamado no Pentágono para decifrar um código russo recém capturado e em questão de horas Nash consegue descobrir padrões e coordenadas importantes apenas olhando para o código. Ele então é visitado por William Parcher (Ed Harris, sempre dando um show), um enigmático e sombrio agente do governo que o contrata para procurar por mensagens do inimigo escondidas em revistas e jornais publicadas no país. Há um momento mágico, que dura um relance, em que a interpretação de Crowe é tão boa que podemos perceber a profunda gratidão de Nash a Parcher por estar confiando nele para um serviço tão importante. Mesmo sendo um "doutor" importante e bem pago, ele ainda é o rapaz procurando por reconhecimento dos tempos de faculdade.
Mas nem tudo é matemática na vida de John Nash. "Uma Mente Brilhante" tem a participação "iluminada" de Jennifer Connelly, que começou no cinema com "Era Uma Vez Na América" e depois faria "Labirinto", com David Bowie, "Rocketeer" de Joe Jonston e "The Hot Spot", enigmático filme de Dennis Hooper. Ela volta às telas como Alicia, uma das alunas de Nash, que consegue ver por cima da proteção fria e matemática dele e conquistar seu coração. Os dois se casam e tudo parece ir às mil maravilhas, quando de repente o filme dá uma guinada de cento e oitenta graus que nos faz questionar tudo aquilo que havíamos assistido até então.
Cada vez mais paranóico e vendo padrões e conspirações soviéticas em todos os lugares, John Nash finalmente perde o controle sobre a própria mente e torna-se completamente esquizofrênico, sendo internado em um hospital psiquiátrico. É então que tanto Nash quanto nós espectadores somos enfrentados por duras perguntas e dúvidas sobre o que é real ou não. Nash estava realmente trabalhando para o governo? Seu trabalho procurando padrões em revistas é realmente de segurança nacional ou não passa do delírio de uma mente desequilibrada? E, mais assustador ainda, seriam alguns dos personagens com o qual já nos familiarizamos reais ou são frutos da imaginação de Nash? Quem é real e quem é imaginário?
O filme de repente torna-se parecido com "Tempo de Despertar", em que o médico interpretado por Robin Williams tem que lidar com pessoas esquizofrênicas como Leonard, papel de Robert DeNiro. A direção segura de Ron Howard e a competência dos atores é tremenda e passamos a trilhar pela mente agora perturbada de John Nash, que não consegue mais distinguir entre quem são seus amigos de verdade ou seus companheiros imaginários. As situações mais banais, como quando Nash vai dar banho em seu bebê tornam-se tensas de suspense por ele não ter mais controle da realidade e criam tensão com a esposa Alicia, que não sabe quando pode confiar no marido.
"Uma Mente Brilhante" é forte candidato ao Oscar do próximo dia 24 de março. O filme já levou o Globo de Ouro de Melhor Filme, Ator (Russel Crowe, que pode levar seu segundo Oscar consecutivo), Atriz Coadjuvante (Jennifer Connelly, merecidamente) e roteiro (de Akiva Goldsman).
Um grande filme, mais um a lidar com este enigma que é a matemática e a mente humana.
João Solimeofevereiro de 2002
(ps: adicionado em setembro de 2002: Uma Mente Brilhante realmente venceu o Oscar de Melhor Filme, e Connelly venceu o de Melhor Atriz Coadjuvante. Já Russel Crowe, que é a alma do filme, viu seu prêmio ser dado a Denzel Washington em uma premiação pra lá de "politicamente correta" e suspeita, em que nada menos do que três atores negros foram premiados na mesma noite, que ainda foi apresentada por Whoopy Goldberg).
Esse texto foi escrito por João Solimeo(site: http://www.cameraescura.com.br/) Vale a pena ver!
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